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O que você não sabia sobre as rádios comunitárias cearenses

  • midiandoufc
  • 23 de out. de 2020
  • 4 min de leitura

Atualizado: 30 de abr. de 2021

Algumas informações importantes para você ficar ligado nos benefícios que esse tipo de veículo pode trazer à comunidade. Além disso, conheça algumas rádios comunitárias do Ceará.


Por Laisa Guimarães



Você já deve ter ouvido falar em rádios comunitárias, e que elas são uma forma de democratizar a comunicação e exercer a cidadania. Mas, afinal, o que são rádios comunitárias? Aqui, você conhecerá a definição e os benefícios dessas rádios para a comunidade e sociedade. Além disso, verá exemplos desses veículos aqui no Ceará, e como eles trabalham.


O que são rádios comunitárias?


As radcoms, como também são chamadas, surgiram no final dos anos 70, no Espírito Santo, na época do Regime Militar, quando a grande mídia estava nas mãos de grandes grupos econômicos - permanecendo assim até hoje em muitos casos - e o governo militar impunha um rígido processo de controle dos conteúdos produzidos. Dois jovens irmãos montaram seu veículo. Porém, a Polícia Federal levou presos um deles e seu pai por estarem produzindo conteúdo e desconfiarem que estavam envolvidos no movimento comunista. Acompanhamos um pouco da história com Cicilia Peruzzo (1998):


"A primeira experiência foi a da Rádio Paranóica, de Vitória (ES), em outubro de 1970. Seus idealizadores eram dois irmãos, na época com quinze e dezesseis anos de idade. O mais novo foi preso tido como subversivo, coisa que ele desconhecia o que significava. Seu interesse era apenas fazer rádio. Ela surgiu com o slogan “Paranóica” [...] Apesar de ter sofrido intervenção, voltou a funcionar em 1983 e continua no ar, com nome de Rádio Sempre Livre."


Para a estudiosa Nahra (1988), o surgimento das rádios comunitárias teve dois objetivos:


  • Apoiar atividades da política, de partidos ou de sindicatos

  • Produzir conteúdos diversos como maneira de contestar o monopólio do estado de concessões


Como afirma Márcia Vidal Nunes (1995), tais veículos se manifestavam em disseminar seus próprios pensamentos, pois não tinham espaço na grande mídia para isso.


Muitas pessoas confundem rádios comunitárias com rádios livres, comumente chamadas de "rádios piratas". Isso ocorre porque antes da Lei 9.612/1998 , não havia regulamentação acerca dessas emissoras comunitárias, caracterizando-as como clandestinas, proibidas. Após a aprovação da lei, elas passam a precisar de concessões do governo para funcionarem regularmente. Elas foram limitadas em relação a seu alcance e frequência, podendo atingir um bairro ou município, além de serem proibidas a fazer publicidade e formação de rede entre as emissoras. Para complementar, esses veículos não recebem proteção contra interferências de rádios comerciais, aquelas que fazem propaganda e tem o objetivo de lucrar, de acordo com Mauro Sá Rego Costa (2010).


A aprovação da lei traz muitas controvérsias, pois a Comissão de Comunicação, Tecnologia e Informática era composta por 70% de donos ou interessados em empresas de rádio de TV, conforme Mauro Costa (2010). Ainda é necessário avançar para que se torne o âmbito comunitário mais democrático, para que tenham mais visibilidade em relação aos seus posicionamentos e direitos comunicacionais.


Quais os benefícios à comunidade e quais as características dessas rádios?


Elas são uma maneira de prestar serviço a comunidade, de modo que a população possa opinar sobre diversos assuntos que estão em pauta, além de produzir conteúdo voltado para os ouvintes. A pesquisadora Cicilia Peruzzo (1998) define essas emissoras como comunitárias, por não visar o lucro, mas a continuidade das produções, de modo que os recursos arrecadados são investidos na manutenção da rádio. Além disso, a comunidade tem a autoria na produção de conteúdos, tratando de assuntos locais, de maneira a interagir diretamente com os ouvintes. O grande benefício é valorização da cultura local, tendo compromisso com a educação e cidadania. Por fim, a democracia é feita através da gestão por grupos, e incentiva o conhecimento da técnica radialista ao oferecer treinamento aos habitantes da comunidade.


Outra maneira de lutar pela democracia é através dos movimentos sociais na internet .


Algumas rádios comunitárias pioneiras do Ceará


Em 1982, já havia um sistema de alto-falantes no Jardim Iracema, bairro de Fortaleza. Já em 1987, esse sistema se dissemina através de um projeto da prefeitura de Fortaleza, e vão sendo criadas rádios comunitárias em bairros como Parangaba, Serrinha, Mucuripe, Messejana e Lagoa Redonda. Na década de 1990, já se contava cerca de vinte veículos comunitários, como afirma Denise Maria Cogo (1998).


Onde posso ouvir as rádios comunitárias do Ceará ?


No site radios.com.br você pode selecionar o estado do Brasil que deseja ouvir e o tipo de frequência (FM ou AM). Depois disso, aparecerá uma grande lista de rádios de diferentes lugares do Ceará, basta clicar em "ouvir". Além disso, há um aplicativo disponível deste site que você pode baixar. Legal, né?


Algumas rádios comunitárias do Ceará


Nativa FM


Rádio Nativa FM. Fonte : Facebook


A rádio Nativa FM, localizada no município de Tabuleiro do Norte, possui uma programação voltada aos assuntos locais e nacionais. O veículo possui uma página no Facebook, chamada de TV Nativa Ce, onde seus programas aparecem no formato audiovisual. Além disso possui um site Rádio Comunitária Nativa FM, sintonizada na estação 104,9. Ela tem um aplicativo disponível na Google Play e na App Store para baixá-lo. Vemos que sempre há uma ótima interação entre os ouvintes e os radialistas, e vários elogios por parte dos usuários do Facebook. Acesse a Nativa FM também através do link. A organização dispõe de números de WhatsApp disponibilizados no Facebook para que a população possa dar sua opinião.


MARANGUAPE FM


Maranguape FM. FONTE : FACEBOOK


A Rádio Maranguape FM, no município de Maranguape, fica sintonizada na estação 87,9. Ela possui uma página no Facebook, no qual os internautas podem assistir toda a programação. Vocês também podem ficar ligados no site www.maranguapefm.com.br e baixarem o aplicativo Tuneln Rádio, que contém diversas rádios FM e AM locais. Na veiculação, são dadas informações sobre vagas de emprego, esportes locais, homenagens, e outros assuntos referentes à comunidade. Confere lá!


FM GIRASSOL


FM GIRASSOL. FONTE : FACEBOOK



A FM Girassol (106,3), fica na região de Baturité e foi fundada em 1998, e é mantida por apoio de sócios e apoio cultural. Com informações nacionais sobre política, religião, questões locais no Facebook, a rádio também conta com o perfil fmgirassol no Instagram, contatos de telefone e WhatsApp nas redes diversos posts como Covid-19, homenagens, campanhas e eventos locais. Sempre exaltando os assuntos da localidade, a emissora possui um site, no qual os usuários podem conhecer mais sobre a sua história e compromissos. Com o desejo de levar aos ouvintes a comunicação que gere comunhão, a FM Girassol é uma ótima companheira!


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